PÃO DE AÇÚCAR – PALESTINA Clerisvaldo B. Chagas, 11 de junho de 2026 Escritor Símbolo   do Sertão Alagoano Crônica: 3425   Tenho...

 

PÃO DE AÇÚCAR – PALESTINA

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de junho de 2026

Escritor Símbolo  do Sertão Alagoano

Crônica: 3425

 



Tenho atração e sempre tive, pelas cidades sertanejas alagoanas. Entretanto  as cidades de Pão de Açúcar - mais antiga de que Santana do Ipanema – e Palestina, relativamente nova, exercem  um fascínio presente e oculto que não consigo nomear de fato o que seria. Não é somente a beleza do seu tradicional casario, seu imponente trecho do rio São Francisco, sua quietude repleta de história, sua culinária e nem seu artesanato. Sobe a antiga Jaciobá é algo muito mais profundo que paira acima dos outros núcleos sertanejos. No caso da Palestina, estive ali cerca de três vezes, ficando encantado com sua simplicidade e algo que ainda hoje não consigo esclarecer a mim mesmo. Estive também na comunidade quilombola Passagem de Pedras, de onde saí completamente impressionado.

        Aquelas terras planas do povoado, planas como uma tábua, sua quietude, me penetraram na alma e na admiração com tal intensidade que nunca mais saíram. O açude por trás do casario entrou na visita apenas como coisa normal, diferente das duas anteriores observações. Faz bastante tempo que fui a Pão de Açúcar e a Palestina, mas continuo com essas localidades como pontos mais altos das minhas interiores indagações. Ainda na Palestina conheci o famoso “riacho do Farias”, que tem evidência na Geografia do Sertão, assim como o rio ou riacho “Desumano”, que banha Olivença.

Mas é preciso uma liberação total da alma para sentir a sensibilidade diferenciada sobre a Mãe Natureza. Nem estou falando sobre inverno ou verão por que o âmago supera as estações.

Percorrer as cidades sertanejas, faz um bem danado! E agora, com Alagoas completamente interligada pelo asfalto, o turista, o pesquisador, o curioso, ou, seja lá quem for, não perde mais tempo com estradas de terra, com buracos, poeira e lama. E ainda com vantagem das pequenas distâncias entre um cidade e outra. E por mais perto que sejam as urbes, cada qual tem sua alma própria, seu DNA, seu modo de ser.  E você vai percorrer retas e planuras, sem abrir mão da região serrana  de Mata Grande, Pariconha, Água Branca, Inhapi... Beliscando, comendo  petiscos, observando, copiando, relaxando e sacudindo fora o comodismo da poltrona.

Então!

Vai ou não vai?

ASPECTO PARCIAL DA PALESTINA (CRÉDITO: JORNAL EXTRA).

  DEVAGAR COM   O ANDOR QUE O SANTO É DE BARRO Clerisvaldo B. Chagas, 9 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: ...

 

DEVAGAR COM  O ANDOR QUE O SANTO É DE BARRO

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3428

 




Continuamos aguardando da gráfica, o romance AREIA  GROSSA, para lançamento entre junho e julho, na associação do rio Ipanema. É que estamos neste momento vendo algumas poucas ilustrações do romance, como Igrejinha de São Pedro, a escola do Bacurau, O Fomento Agrícola, o prédio da Perfuratriz, o botador d’água em cacimba do rio e o croqui do epicentro do romance, do artista plástico e cantor Dênis Marques. O livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, está, praticamente, esgotado na sua primeira edição. Disponibilizamos apenas quatro exemplares. Encerrada esta etapa, as novidades do autor serão os próximos livros para  o segundo semestre: ZÉ COXÓ, O POETA DO FANTÁSTICO (repentes), BARRA DO PANEMA, UM POVOADO ALAGOANO (documentário) e AS TRÊS FILHAS DO CORONEL (romance do ciclo do cangaço).

Tem razão a sabedoria sertaneja que diz: “Devagar com o andor que o santo é de barro”. Mas,  é o Divino Espírito Santo fomentando a produção e o Mestre dos mestres semeando as palavras. E por falar nisso, o leitor fiel deve estar atento em todas as capas de trás Pois bem, dos nossos livros que sempre informa sobre as obras publicadas, as inéditas e as em preparo. Pois bem, em muitas delas vem o anúncio sobre poesia com o título de “Colibris do Camoxinga” e que não  vai existir, sendo substituído pelos repentes do poeta do fantástico, Zé  Coxó. O porquê dos bastidores vai ficar apenas com o autor, pois a poesia contundente, demolidora de protestos já não tinha mais sentidos para o alvo que já se foi.

Quanto ao livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, não houve aquele lançamento formal. A voracidade do leitor exigente foi tanta que nem sobrou livro para lançamento oficial. Já se encontra de mão em mão nas rodas intelectuais de todo o Nordeste. AREIA GROSSA, não. Esse terá todas as formalidades de lançamento no epicentro da sua trama. É de interesse particular do santanense, pelo menos na primeira edição. São oitenta e dois personagem reais apontados como coadjuvantes da trama. Os seus descendente deverão receber gratuitamente cada exemplar, que foram patrocinados pelos escritores, amigos e contemporâneos; João Chagas Neto e Luís Antônio, o Capiá. Será uma noite de resgate, gratidão, reconhecimento, muitas saudades e emoções. Em breve, todos serão convidados.

  MACHU PICCHU E O SÍTIO TOCAIAS Clerisvaldo B. Chagas, 8 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Serão Alagoano Crônica: 3427   Não ...

 

MACHU PICCHU E O SÍTIO TOCAIAS

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Serão Alagoano

Crônica: 3427

 



Não vamos nos glorificar porque a arte não é nossa. Existente desde a Pré-História, em várias partes do mundo, nasceu da necessidade de proteção.  A matéria abundante era a pedra que, empilhada, artisticamente, não usava argamassa, mas sim a técnica da “pedra seca. Ora! Tratamos (nem todos) aqui no Sertão, as cercas de pedras como relíquias. E que são de fato relíquias e parte ainda viva da História. Elas foram construídas por escravos cujos cabeças eram chamados de “mestres”. Outras pessoa como os vaqueiros também faziam a cerca de pedra, porém  os destaques eram para os escravos. Isso vem nos sertões, aproximadamente desde os séculos XVIII e XIX e mesmo o século XX. A técnica no Brasil, veio da Europa. Contemplamos nos terraços de Machu Picchu, a perfeição dos muros de pedras semelhantes as nossa cercas santanenses, do sítio Tocaias, do Bairro Barragem e das imediações do sítio Poço Grande, em longa estrada marginal ao rio Ipanema, no sítio Laje dos  Frades.

Nos sertões, para a proteção de lavoura e gado, não existia ainda o arame farpado. A abundância de pedras soltas, era a primeira opção altamente segura e de baixo custo. Caso um pedaço de cerca sofresse algum problemas e caísse, o restante das pedras ficariam  ao pé da cerca e o conserto seria feito com facilidade. Acontece que o tempo passou, surgiu o arame farpado com estacas de madeira e, os mestres já não mais existiam.  Daí encontrarmos cercas de pedras em franca decadência, isto é, desde pequenas partes caídas até partes grandes.

Os terraços de Machu Picchu, nos parece em perfeito estado de conservação, talvez pelo governo em função da fonte de renda do turismo internacional. As pedra são tão bem encaixadas que não podem ser refúgio de animais como lagartixas, insetos e cobras. O que acontece ao contrario como as cercas que entram  em estado de abandono. No caso das cercas de pedras do nosso Sertão, como não  existe interesse das autoridades, também não existe interesse de turista, até porque este é direcionado para o alvo. E se existe alvo mas não existe o direcionamento...

CERCA DE PEDRA.